O setor público brasileiro, englobando União, estados, municípios e empresas estatais, apresentou um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho de 2026, conforme informações divulgadas pelo Banco Central nesta sexta-feira (31). Esse valor representa um aumento em relação ao déficit de R$ 47,1 bilhões registrado em junho do ano anterior.
Desempenho Fiscal no Acumulado Anual
No acumulado dos últimos doze meses, o déficit do setor público consolidado chegou a R$ 157,2 bilhões, correspondendo a 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB). Este resultado é ligeiramente superior ao déficit de maio, que apresentou uma elevação de 0,06 ponto percentual.
Juros e Impactos Econômicos
Os gastos do setor público com juros nominais totalizaram R$ 110,7 bilhões em junho, um aumento significativo em comparação aos R$ 61,0 bilhões do mesmo mês em 2025. O Banco Central atribui parte desse crescimento à variação negativa nas operações de swap cambial, que resultaram em uma perda de R$ 9,3 bilhões em junho de 2026, em contraste com um ganho de R$ 20,9 bilhões no mesmo período do ano anterior.
Acúmulo de Juros e Déficit Nominal
Em termos nominais, o setor público consolidado acumulou um déficit de R$ 166 bilhões em junho. Ao longo de um ano, o déficit nominal totalizou R$ 1,31 trilhões, representando 9,99% do PIB, com um aumento de 0,38 ponto percentual em relação ao mês anterior. Os déficits foram distribuídos entre o Governo Central, que apresentou R$ 47,2 bilhões, os governos regionais com R$ 6,6 bilhões e as empresas estatais, que contribuíram com R$ 1,5 bilhão.
Dívida Líquida e Bruta do Setor Público
A Dívida Líquida do Setor Público atingiu 68,5% do PIB, totalizando R$ 9 trilhões, uma alta de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior. Esse aumento é reflexo dos juros nominais apropriados, do déficit primário e de ajustes na dívida externa líquida. No acumulado do ano, a dívida apresentou um aumento de 3,2 pontos percentuais do PIB.
Por outro lado, a Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui o governo federal, INSS e governos estaduais e municipais, alcançou 81,9% do PIB, totalizando R$ 10,8 trilhões, com um incremento de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior. Este crescimento é atribuído aos juros nominais apropriados e às emissões líquidas de dívida.
Reflexões Finais sobre a Situação Fiscal
Os dados recentes revelam um cenário fiscal desafiador para o Brasil, com déficits crescentes e um aumento significativo na dívida pública. Esse contexto exige atenção e estratégias eficazes para a recuperação fiscal e a sustentabilidade econômica do país. A evolução contínua desses números será vital para entender as direções futuras da política econômica no Brasil.







