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Pioneirismo das Mulheres do RN na História do Voto Brasileiro

As mulheres do Rio Grande do Norte desempenharam um papel crucial na luta pelo sufrágio feminino no Brasil, sendo reconhecidas como pioneiras nesse movimento na América do Sul. Em 1927, o estado viveu um momento histórico com a promulgação da…

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História do voto: mulheres do RN tiveram feitos inéditos

As mulheres do Rio Grande do Norte desempenharam um papel crucial na luta pelo sufrágio feminino no Brasil, sendo reconhecidas como pioneiras nesse movimento na América do Sul. Em 1927, o estado viveu um momento histórico com a promulgação da lei estadual nº 660, que eliminou a distinção de sexo no direito ao voto, uma conquista que se deve em parte à influência da sufragista Bertha Lutz.

O Avanço do Direito ao Voto

A lei que garantiu o sufrágio feminino foi aprovada pelo então governador Juvenal Lamartine, que tinha um forte diálogo com Lutz. Essa legislação não apenas permitiu que mulheres se alistassem para votar, mas foi a primeira iniciativa formal no Brasil a assegurar que não haveria discriminação de gênero no exercício do voto.

Primeiras Eleitoras do Brasil

Em novembro de 1927, Celina Guimarães Viana, natural de Mossoró, deu um passo ousado ao solicitar seu alistamento eleitoral. Esse ato se torna um marco, pois a tornou a primeira mulher a se registrar como eleitora no Brasil e na América do Sul. No dia 5 de abril de 1928, ela foi a primeira a exercer seu direito de voto em uma ação que foi classificada como um ato feminista.

Outra mulher notável, Júlia Alves Barbosa Cavalcante, de Natal, também se alistou no mesmo dia que Celina, tornando-se a segunda eleitora do país. Ao todo, 15 mulheres votaram no estado naquele ano, um feito histórico que reforçou o papel das mulheres na política.

Pioneirismo Político

Além de garantir o direito ao voto, o Rio Grande do Norte também se destacou na candidatura feminina. Alzira Soriano de Nóbrega Teixeira, em 1928, foi a primeira mulher a candidatar-se à prefeitura de Lajes, a 130 quilômetros de Natal. Sua eleição, baseada em 60% dos votos, foi noticiada até pelo New York Times, o que a consagrou como a primeira prefeita do Brasil e da América Latina.

Desafios e Conquistas

A trajetória de Alzira não foi fácil. Ela enfrentou uma campanha repleta de ataques misóginos, incluindo insinuações sobre a moralidade das mulheres na política. Segundo a professora Fernanda Abreu, essa vitória foi muito mais do que um marco simbólico; representou uma verdadeira conquista política.

A historiadora Cibele Tenório, especialista na vida de outras sufragistas, destaca que a luta pelo voto feminino foi um precursor das candidaturas de mulheres e que o ambiente institucional do Rio Grande do Norte foi favorável a essas conquistas. Sem a lei de 1927, Celina e Alzira não teriam tido a possibilidade de reivindicar seus direitos.

Concluindo, o caso do Rio Grande do Norte é um exemplo raro de como a organização feminista e um ambiente político receptivo podem acelerar mudanças significativas. As mulheres que lutaram por seus direitos demonstraram que ações individuais podem ter repercussões coletivas profundas e duradouras na história do Brasil.

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